Entre as palavras e as turbulências
03/01/2009

A coisa funciona assim: desde, sei lá, sétima ou sexta série, eu tinha um plano: eu ia me formar no colégio e, formada, ia prestar Jornalismo para a UFRGS, me formar, e então abrir uma revista inteligente e interessante, e mudar a mentalidade de todos os jovens e salvar o mundo de seus próprios vermes.
Era um plano bom – ainda agora posso ver que é bom -, e eu tinha ele como meta até mais ou menos uns três meses atrás. E é assustador, porque eu passei boa parte dos meus apenas dezesseis anos – quase dezesseis anos, ainda faltam dois dias – pensando que eu seria uma coisa que, de uns meses pra cá, não tenho certeza que quero fazer. Eu ainda acho que minha vocação envolve Jornalismo, mas… Eu voei. Esse foi o meu problema. Eu voei.
Movimento Oscilatório
01/01/2009

RESPEITANDO MEU ESTILO extremamente grotesco quando se trata de sutileza, eu diria que o ano foi bom pra caralho.
O ano começou perdidamente confuso. Eu estava confusamente perdida! Tinham fragmentado a turma que eu sempre detestei e enquanto minha até então melhor amiga sofria com a destruição da turma, eu sofria com ter ficado – até onde eu achava – na turma de uma garota que eu detestava com todas as minhas forças. E que com o passar dos meses se tornou uma das minhas melhores amigas, mas isso certamente não importa agora. O que importa é que comecei o ano perdida. Uma expressão de “Como assim?” se misturava à uma de “Como você ousa?” no meu cenho franzido e nos meus olhos cerrados. É claro que, depois, eu percebi que não somente não tinham me posto com a garota que eu detestava – a que depois virou minha amiga -, como tinha me deixado na turma errada! Longe da minha melhor amiga! Okay. Pedi pra trocar de turma e fui para a turma da minha até então melhor amiga na mesma primeira semana que a garot aque eu detestava saiu, então a turma poderia ser ótima, não podia?
O pior é que podia. Eu tinha umas velhas amigas lá – pessoas que eu passei alguns vários anos da minha vida ao lado e depois simplesmente resolvi desaparecer um pouco – e percebi que não era difícil voltar à algum lugar quando a porta continuava aberta. E foi incrível porque a receptividade masculina daquela turma era igual à falta do mesmo do lado feminino. Mas sempre foram poucas garotas na sala, então elas, hm, no português brega, tiveram que nos engolir – eu e minhas, agora novamente, amigas.
Com o tempo, a hesitação feminina cedeu e a turma tornou-se acolhedora e fantástica. Agora, em 2009, há planos de tentar recolher os pedaços da minha antiga turma e formá-la novamente. Se eu volto? Não volto. Aprendi a gostar dessa turma, e a outra eu sempre detestei. Não volto. Vou é ficar.
Começo perdido superado e notas sendo ignoradas porque era a última coisa com a qual eu queria perder meu tempo pensando, eu tinha os problemas – ou não – do coração. Eu compartilho do grande problema de Michael Rosenbaum – “Somehow, people think I’ll use them. And maybe I really will, but just because they already want me to. I do fall in love, but still, somehow, I always pick the wrong ones.” – e chega a ser perturbador como, ano após ano, isso se comprova mais. Eu só… Tive medo, por um momento, que eu desistisse de tudo. Desistisse de me apaixonar. Eu me frustrei fácil, eu escolhi de forma complicada, eu mexi com as coisas que eu não sabia se estava pronta pra mexer ainda. Eu cavei fundo nos meus sentimentos até que achasse um enorme buraco, e quando achei não soube o que fazer com ele. Eu senti a incerteza me prensando contra a parede e me levantando pelo pescoço, com dedos de ancinho me sufocando. Eu nunca me senti tão mal por não ter certeza!
… E valeu a pena cada fricção dolorosa que a Incerteza fazia contra mim. Valeu à pena por cada sorriso de lado, cada olhar relapso e cada longo suspiro desistente – mas sem nunca, nunca desistir! E, aproveitando para contar um segredo, teve uma coisa que eu quis fazer na virada de ano e não fiz: eu quis mandar uma mensagem SMS. Quis mandar, mas não mandei. Seria apenas: “Encore.”, mas tenho quase certeza de que seria compreendida. Senão fosse, seria uma pena. E eu nem sei porque não mandei. Acho que foram as outras trezentas coisas roubando minha atenção, colocando cerejas sobre meus lábios para que eu as abocanhasse e se despindo de vergonha pra me perguntar questões estupidamente constrangedoras.
Valeu a pena, e eu nem sei como tenho certeza disso.
As viagens – que nem foram tantas – fizeram o ano ter um brilho especial. Um brilho de caneca de Starbucks, de bonequinha japonesa de madeira, de vaquinha Sandy McCoy, de chocolate – muito, muito chocolate – e até de ursinhos. É curioso como os presentes mais significantes desse ano foram justamente os mais simples. E tiveram dois sorrisos que me serviram mais que qualquer coisa. Um sorriso seguido de um beijo no pescoço – que me deixou sem palavras! Atrevimento repentino é sempre bem recompensado, mas não em um caso tão repentino, diabos! – e um sorriso seguido de um olhar que, eu sabia, dizia, “Desculpe-me. Eu só espero que tudo esteja bem agora.” E estava. Estava tudo maravilhosamente bem…
Foi um ano incrível. Passada a Incerteza – que nem sei se tenho o direito de pôr do lado negativo da balança, honestamente – e meu momento perdido do começo do ano, eu entrei em mais contato comigo mesma e nunca tive tanta claridade dentro de mim. Agora eu enxergo, com certeza e tranqüilidade, exatamente quem eu sou e o que eu quero. As coisas que não sei eu joguei pra um canto, pra dar atenção só depois…
Não que o balanço tenha sido o mais detalhado dos que eu já fiz, mas acho que o ano de 2008 foi um dos melhores da minha vida, empatado com um outro ano que foi incrivelmente confuso, extenso e pesado. Esse ano não foi de montanhas russas como aquele. Eu não chorei com desespero, mas até que chorei em meio à gargalhadas. Foi um ano incrível, e eu acho que as partes ruins dele eu já empurrei para o fundo da minha gaveta de blusões. Só mexo ali no inverno mesmo.
Agora, que venha 2009. Que venha meu último ano no colégio, que venha minha formatura, que venha o intensivo, que venha a pressão para passar no vestibular – que eu nem me estresso… -, que venham novos shows – Echo & The Bunnymen, Engenheiros do Hawaii, Offspring e R.E.M. desse ano foram ótimos! -, que venham novas Incertezas, que venham novos amores ou ressurjam os velhos – ou os dois ao mesmo tempo! -, que as festas vão até mais tarde e deixa que Porto Seguro venha, com Ilha do Mel junto, de preferência. Vem. Vem, 2009.
A Renovação De Hipocrisia (aka Ano Novo)
31/12/2008

O ENGRAÇADO SOBRE o ano novo, é que aparentemente as pessoas ficam tomadas por um espírito de bondade repentina e absolutamente passageira. Normalmente, quando o ano novo vem chegando, ele tem esse poder sobre as pessoas: ele faz com que fiquem hipócritas o bastante para festejar com seus inimigos, tentar engolir sapos que normalmente não engoliriam e os mais ousados até tentam, nesse final de ano, receber perdão pelo que fizeram. É uma das coisas ruins da humanidade: ela faz todo o mal que acha interessante, porque no final terá um perdão. Os alunos não estudam o ano inteiro porque sabem que têm uma segunda chance no final do ano e, é claro, as pessoas no geral fazem mal durante o ano inteiro para que, no final dele, possam dizer algo que soa mais ou menos como, “Eu não quero começar o próximo ano guardando rancor de ninguém, nem com ninguém guardando rancor de mim! Então me perdõe.”
Se ficasse só aí, até que tudo bem. O vadio poderia até estar falando sério. O problema é o que vem depois. O problema é que não pára por aí! “Ano novo, vida nova!” Vida nova? Vida nova. Vida nova? Vida nova! Que vida nova o quê. Se fosse pra começar uma vida nova, por que é que já não tinha começado? Ou recomeçado. Tanto faz.
Mas o final de ano (ou o começo do próximo) não é só hipocrisia. Incontestavelmente, o fechamento do ciclo de 365 dias – ou 366 – dá uma sensação de renovação de esperança. Como se todo o stress do ano passado desaparecesse e fosse injetado direto em nossas veias uma nova esperança, uma nova alegria, uma alma mais jovem! Ah, que coisa boa o ano novo!
Mas, na minha opinião, tudo o que temos a fazer é tentar desejar um feliz ano novo aos nossos queridos. Não porque vamos ajudá-los com isso, mas porque talvez – só talvez – perceberão que um ano bom – ou uma vida recomeçando - somos nós quem fazemos.
É somente conosco. Ignorem a renovação da hipocrisia, a renovação das forças ou qualquer besteira que tenham ouvido pela minha boca ou de outra pessoa. Foquem-se em melhorar individualmente a vida de vocês. Foquem-se em, quando for meia-noite, fechar os olhos e fazer um pedido – e depois vão atrás dele até que se realize!
O meu balanço de 2008 fica para depois. Agora tenho que ajudar minha mãe a separar lentilhas e comprar champanha, porque, sabe, feliz ano novo!